22 novembro 2006

Poema do Milho

Jonathas Alves da Silva

A grande poetisa do Estado de Goiás, Cora Coralinja, nos concedeu uma grande obra que é o “Poema do Milho”. Este que retrata sobre todo o ciclo do milho, desde o seu plantio até a sua colheita.
Quando feito a leitura, podemos perceber que os sentimentos humanos são dados ao milho. O seu ciclo pode ser comparado com o ciclo de vida do ser humano.
A poetisa nos relata sobre os vários tipos de milho que podemos encontrar: “Milho verde. Milho seco. Bem granado, cor de ouro. Alvo. Ás vezes vareia – espiga roxa, vermelha, salpintada”. Pensando no lado humano, podemos compará-lo com as várias raças e cores que compõem a humanidade como, por exemplo, a negra, a branca e a indígena.
Como todo ser vivo que existe na face da Terra, o milho entra sua fase de gestação: “Milho plantado, dormindo no chão, aconchegados. Seis grãos na cova. Quatro na regra, dois de quebra. Vida inerte que a terra vai multiplicar”. Depois de plantado ele têm que vencer vários predadores, mais ele nasce e entra na sua próxima fase: o desenvolvimento da planta ou seja a sua infância.
“E o milho realiza o milagre genético de nascer. Germina. Vence os inimigos. Aponta aos milhares. Aponta aos milhares”.Assim ela começa a escrever sobre a infância do milho, que cria forma e luta pelo milagre da vida, além de combater suas pragas que se alimentam dele.
Depois de sua infância, entra a fase de maturidade, aonde começa a fecundação das mesmas para dar frutos. “E o pólen dos pendões fertilizando... Uma fragrância quente, sexual invade um espasmo o milharal”, com estas palavras, se define o ato nupcial do milharal, para que a flor masculina possa fecundar a feminina, algumas características que são considerados entre os seres humanos.
Mais como tudo na Terra, nasce, cresce, reproduz, envelhece e morre não pode ser diferente com o milho. “Tons maduros de amarelo, tudo se volta para a terra mãe. O tronco seco é um suporte, agora, onde o feijão verde traça, enrama, enflora”. Assim a poetisa encera o ciclo do milho, comparando-o com o ciclo do homem, usando recursos lingüísticos da língua portuguesa.
Além disso, a poetisa também não esquece dos plantadores, que sempre, estão cuidando do milharal desde o plantio, à sua colheita. “Crente da Terra. Sacerdote da terra. Pai da Terra. Filho da terra. Ascendente da terra. Descendente da terra. Ele, mesmo, terra”. O homem da terra, que cuida da sua roça, como se fosse um filho.
A poetisa não se esqueceu das crenças religiosas que o homem do campo têm. “Jesus e São João andaram de noite passeando na lavoura e botaram a benção no milho”. Assim que o plantador acredita sobre a lavoura de milho, uma planta abençoada, que pode fazer vários tipos diferentes de comida.
O poema do Milho é uma grande obra de Cora Coralina, pois mostra o tão grande é a importância desta poetisa e o grau de conhecimento que ela têm sobre a vida e sabendo comparar o ciclo de vida de uma planta com a humana, além de nos mostrar que dependente que seja as diferenças entre os seres vivos, a poetisa nos mostra que somos iguais no poema com uma linguagem simples, de fácil compreensão.

CORALINA, Cora. Poemas dos becos de Goiás e Estórias Mais. São Paulo: Global, 1996.

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